Da oração

Ele pede silêncio e velas.
Uma intimidade à meia-luz, noturna,
que pode nos levar às lágrimas,
só de Lhe pensarmos os Mistérios.

Nessa vigília, a brisa nem chega a mover a chama,
que se ergue atenta, como se esperasse ouvir –
e assim também as plantas do jardim –
o desaguar do tempo na eternidade.

“Onde está Ele?”

Em toda parte.

Mas Sua misericórdia
é também uma forma de pudor:
é por amor que se oculta
Pois sabe que sem a Graça
não nos seria possível suportá-Lo.

Mas está aqui.
E aprecia a oração,
a lágrima eventual,
o riso infantil,
os êxtases modestos
que por prudência
a memória não guardará.

Sim, está aqui.
É o que basta.